
A experiência do Instituto em campanhas de medição foi abordada por Leonardo Oliveira, integrante do Laboratório de Energia Eólica, em uma mesa redonda que também teve como participantes os dois principais fabricantes de sensores LiDAR para o setor, a ZXLIDARS, por meio da Barlovento, e a VAISALA
Projetos de medição do recurso eólico desenvolvidos pelo Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER) foram apresentados nesta terça-feira (7), no Rio de Janeiro, no IV Workshop do Sistema AMA, promovido pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE).
Referência nacional na área, o ISI-ER está entre os institutos pioneiros no uso da tecnologia LiDAR (Light Detection and Ranging) para medição de vento no Brasil.
“O ISI-ER utiliza essa tecnologia nos seus projetos de pesquisa desde 2012 e também desenvolveu, em conjunto com a Petrobras e o Instituto SENAI de Inovação em Sistemas Embarcados, o primeiro sistema LiDAR flutuante brasileiro, a boia BRAVO”, destacou Leonardo Oliveira, engenheiro integrante da equipe do Laboratório de Energia Eólica do ISI-ER treinada na Dinamarca, na DTU – uma das universidades técnicas mais respeitadas da Europa – pelas instituições internacionais de pesquisa que mais desenvolvem trabalhos com LiDAR e pelos fabricantes que mais atuam no mercado eólico.
A experiência do ISI em campanhas de medição foi abordada por ele em uma mesa redonda que também teve como participantes os dois principais fabricantes de sensores LiDAR para o setor eólico, a ZXLIDARS, por meio da Barlovento, e a VAISALA.
“Para o ISI-ER, participar desta discussão é de grande valia, especialmente por ser um workshop promovido pela EPE, que é quem coordena as medições feitas por parques eólicos no Brasil, por meio do sistema AMA (Sistema de Acompanhamento de Medições Anemométricas)”, disse Oliveira.
A programação do evento contou com painéis de agentes governamentais e privados, reforçando discussões sobre a importância de campanhas de medições anemométricas para os projetos eólicos no país e o papel central do Sistema AMA no planejamento energético.

Referência nacional na área, o ISI-ER está entre os institutos pioneiros no uso da tecnologia LiDAR para medição de vento no Brasil. Imagem mostra LiDAR de Varredura, que integra a Plataforma de Coleta de Dados Meteoceanográficos (PCDMet) do Instituto
Sistema
O AMA é apresentado pela EPE como um banco de dados com importância fundamental para a caracterização dos ventos e condições climáticas, ao contar com informações essenciais para o monitoramento e planejamento da geração de energia eólica no país. O Sistema, segundo a instituição, recebe dados de mais 650 torres anemométricas cadastradas no Brasil.
Segundo Oliveira, a tendência é que sensores LiDAR passem a ser incorporados a esse sistema. “A EPE possui dados anemométricos medidos pelos parques eólicos operacionais no Brasil e realiza vários estudos voltados ao setor, sendo a maioria destes dados medidos por torres anemométricas”, observa. “Agora a novidade é que a instituição vislumbra aceitar sensores LiDAR como provedores destes dados”, acrescenta.
Durante o Workshop foram abordados desde o uso dos dados oriundos dessas medições até os avanços nas tecnologias de medição remota por LiDARs – uma das tecnologias principais aplicadas em atividades como prospecção do recurso eólico e otimização do controle de aerogeradores.

Workshop abordou desde o uso dos dados na fronteira científica até os avanços nas tecnologias de medição remota por LiDARs – uma das tecnologias principais aplicadas em atividades como prospecção do recurso eólico e otimização do controle de aerogeradores
“O LiDAR é um tipo de sensor que vem sendo cada vez mais aceito e utilizado no setor eólico, devido a sua alta correlação com a maneira convencional de medição de vento (anemômetros de copos instalados em uma torre anemométrica), e, ainda, pela facilidade de instalação e reposicionamento da medição, quando comparado com a maneira convencional de medição”, observa Oliveira.
Segundo o engenheiro, para o setor eólico offshore, o sensor LiDAR apresenta grandes vantagens quando comparado com a maneira convencional de medição de vento, possuindo facilidades de instalação, de configuração das campanhas de medição e de manutenção de equipamento.
A campanha de medição anemométrica – ou medição do recurso eólico – é considerada uma etapa chave em qualquer projeto de parque eólico, seja ele onshore (em terra) ou offshore (no mar), explica Oliveira.
“É a medição do recurso eólico disponível. Por meio da medição, o desenvolvedor colhe informações necessárias para julgar se aquele local é viável para seguir com um projeto, dos pontos de vista técnico e econômico”, detalha ele e complementa: “Estes dados observados na campanha são utilizados para estimativas do quanto um aerogerador, ou um parque eólico, pode gerar (em energia-MWh) anualmente, além de servir para a caracterização do vento do local, o que é parâmetro de entrada para a escolha do aerogerador que melhor se encaixa para aquele local”.
SOBRE O ISI-ER
O Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER) é a principal referência do SENAI no Brasil em Pesquisa Aplicada, Desenvolvimento & Inovação para indústrias de energias renováveis e, no Nordeste brasileiro, também lidera iniciativas da instituição para soluções de sustentabilidade voltadas à transição energética.
Inaugurado oficialmente em 2021, no Rio Grande do Norte, o Instituto é parte da maior rede de ciência e tecnologia para o setor industrial no país – composta por 28 Institutos SENAI de Inovação (ISIs).
A equipe é formada por mestres, doutores e técnicos em áreas como engenharia (mecânica, civil, elétrica, química e naval), meteorologia, oceanografia, geografia e tecnologia da informação.
O portfólio abrange estudos, tecnologias e marcos inéditos nacionalmente, como a primeira planta-piloto offshore do Brasil a receber licença prévia do Ibama.
A atuação, hoje, envolve oito áreas estratégicas: Energia eólica, Energia solar, Sustentabilidade, Hidrogênio, Combustíveis avançados, Economia azul, Meio Ambiente e Geointeligência.
Texto: Renata Moura
Fotos: Divulgação ISI-ER